domingo, 25 de setembro de 2011

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

(Samba do grande Amor - Chico Buarque)

sábado, 24 de setembro de 2011

A experiência Humana

Tudo que é Humano
causa febre
é figurante no tempo
um cadáver astronômico
que deseja o anormal
quando não basta o normal

Um estudante
mesmo que negue
a besta sabedoria
que socializa

Um pequeno bípede
apostou nas feras
que acabara de inventar
em nome da esperança
de continuar a existir


"O céu que vá para o diabo." (Aldous Huxley)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Império sem Títulos

Exite uma escala
temporal
e sem nome
fomos inscritos
na arte do prazer
e crença

desejos questionáveis
num pedaço de tempo inexato

e como todo o resto
nosso império foi criado
e não queremos
ficar calados

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Abandonei-me ao vento

Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro, livre, que me sabe

quando me levantar e o corpo solte
o seu despojo vão. Em toda a parte
o vento há de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.

E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.

Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.

(Carlos Nejar)